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Fada de Dentes pode ser uma aliada nos estudos e pesquisas na odontologia
Instituição busca doadores para seu Banco de Dentes, que tem como objetivo armazenar e distribuir dentes humanos, principalmente para a realização de pesquisas científicas voltadas à melhoria da saúde bucal
09.02.2010
Chegou a hora de explicar para as crianças qual a destinação correta que a Fada dos Dentes deve dar aos dentinhos de leite que ela troca por moedas ou presentes: eles são entregues às Faculdades de Odontologia que mantêm Bancos de Dentes ativos. As doações permitem que os dentistas realizem importantes pesquisas e estudos para verificar, por exemplo, qual o comportamento e as características dos materiais utilizados para restaurar e obturar um dente, qual o melhor produto para limpar cavidades nos dentes e o melhor material para cimentar uma prótese, dentre muitas outras.
Infelizmente não apenas os pais, mas também muitos dentistas, não têm essa consciência e até desconhecem a existência e a importância dos Bancos de Dentes, instituições sem fins lucrativos, vinculadas a faculdades ou universidades com o propósito de suprir as necessidades acadêmicas, fornecendo dentes humanos para pesquisas ou para treinamentos laboratoriais dos alunos durante o curso de Odontologia.
Um dos poucos Bancos de Dentes existentes no Brasil é o da Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas, interior de São Paulo. Instalado no Laboratório de Ensaio de Materiais da faculdade desde 2004, as atividades ali desenvolvidas incluem a seleção, o armazenamento e distribuição de dentes humanos, principalmente para realização e análises de pesquisas e estudos dos alunos da graduação e pós-graduação.
Há inúmeras pesquisas já realizadas ou em andamento na Faculdade São Leopoldo Mandic com a utilização dos dentes, entre elas: o estudo das alterações no esmalte dos dentes submetidos a clareamentos dentais, a verificação da ação dos materiais com antibactericidas utilizados nas restaurações para a inibição do desenvolvimento de lesões da cárie e o desgaste nos dentes das pessoas bulímicas devido à ação constante de Ácido Clorídrico (vômito) sobre o esmalte dental.
Doações
O cirurgião-dentista e professor responsável pelo Banco de Dentes da São Leopoldo Mandic, Gabriel Politano, explica que, todos os dentes, independentes de estarem inteiros ou quebrados podem ser doados: tanto os dentes de leite como os permanentes são muito úteis para as pesquisas e ensino. Até mesmo pedaços deles e as suas raízes podem servir para os testes laboratoriais.
"Só não aceitamos aqueles que estão em péssimo estado de conservação, nos quais nem a coroa nem a raiz podem ser aproveitadas", explica o cirurgião-dentista. Como o dente humano é considerado um órgão, como o coração, o fígado ou rim, por possuir variados tecidos e funções específicas, o seu armazenamento em consultórios ou residências é considerado ilegal, assim como o seu comércio. "O local adequado para guardá-los é o Banco de Dentes", alerta Politano.
Para armazená-los no Banco de Dentes, eles são conservados, divididos por grupos (incisivos, caninos, pré-molares e molares) e colocados dentro de recipientes com água em uma geladeira para evitar a contaminação e multiplicação de bactérias.
Para realizar qualquer pesquisa com dentes humanos, há obrigatoriedade de os alunos submeterem o projeto de pesquisa do estudo pretendido à Comissão de Ética da Faculdade, explicando os objetivos do trabalho, metodologia a ser aplicada e a quantidade de dentes necessários. As pesquisas apenas são autorizadas se houver a certificação da procedência dos dentes e o consentimento do doador do material. Nesse caso, como fornecedor desses órgãos, o Banco de Dentes garantirá que as pesquisas sejam sempre realizadas dentro dos critérios éticos, inclusive evitando o "comércio" ilegal de estruturas dentais.
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