O Brasil conta com 19% dos dentistas do mundo. São 219.575 profissionais, dos quais 59% estão no Sudeste. Do total geral, 51,25% são mulheres. Três estados concentram 57% dos dentistas: 33,08% estão em São Paulo (72.508), 26.728 em Minas Gerais (12,19%) e 26.194 no Rio de Janeiro (11,95%). Os 197 cursos de Odontologia existentes formam por ano cerca de nove mil profissionais. A maior carência de profissionais está na região Norte.
Esses números fazem parte do livro “Perfil Atual e Tendência do Cirurgião-Dentista Brasileiro” lançado na manhã desta terça-feira (2) durante o 28o Ciosp – Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, que acontece até amanhã, no Anhembi, em São Paulo. A publicação traz um diagnóstico completo sobre o exercício da Odontologia no País, com informações sobre os estados onde há maior concentração de profissionais, aqueles em que há carência de dentistas, que sexo predomina na categoria, qual o percentual que atua no setor público, quantos são autônomos, além de valores médios por hora trabalhada e principais especialidades.
Escrito pelas professoras Maria Celeste Morita (Universidade Federal da Londrina), Ana Estela Haddad (Departamento de Gestão e Educação na Saúde do Ministério da Saúde) e Maria Ercília de Araújo (ObservaRHOdonto – Observatório de Recursos Humanos em Odontologia), o livro é resultado de uma ampla pesquisa realizada a partir do cruzamento de diferentes bases de dados, como a do Ministério do Trabalho, Ministério da Fazenda, Capes e entidades de classe, incluindo à da APCD – Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas, que promove o Ciosp.
Segundo Ana Estela Haddad, do Ministério da Saúde (MS), o estudo será fundamental para a adoção de políticas públicas voltadas para a saúde bucal da população. “A implementação de qualquer política pública exige um diagnóstico da situação e o conhecimento de dados que possam servir de base para ações futuras”, diz a diretora do MS. Ela destaca uma mudança de perfil no exercício da profissão, com uma forte migração de profissionais para o setor público. “Esse dado demonstra uma valorização da saúde pública pelo profissional da Odontologia. Da mesma forma, isso é importante também para a democratização dos serviços odontológicos para a maioria da população”, explica Ana Estela.
A professora da Universidade Estadual de Londrina, Maria Celeste Morita, avalia que o estudo coloca o Brasil numa posição de destaque na Odontologia internacional. “Poucos países no mundo detém dados tão relevantes e fidedignos sobre o exercício da Odontologia em seu próprio território”. Para a especialista, o livro será um importante material de apoio para os diversos agentes da área odontológica, seja nos órgãos públicos, empresas das áreas da saúde, indústrias, entidades de classe e para o próprio profissional.
Os números
De acordo com dados internacionais como os da Organização Mundial da Saúde, o Brasil conta com 19% dos dentistas do mundo. São 219.575 profissionais, dos quais 59% estão no Sudeste. Deste total, 51,25% são mulheres.
Três estados concentram 57% dos dentistas: 33,08% estão em São Paulo (72.508), 26.728 em Minas Gerais (12,19%) e 26.194 no Rio de Janeiro (11,95%). O menor porcentual (4%) está na Região Norte, onde há um para cada 1.800 habitantes. No Sudeste, esta relação é um para cada 601 pessoas. Mais de 40% vivem nas capitais, sendo que Amapá é o estado com maior concentração na capital (90,7%) e Santa Catarina o menor (21,35%).
Os 197 cursos de Odontologia existentes formam por ano cerca de nove mil profissionais. Mais da metade dos cursos (52%) está na região Sudeste e 72% deles são particulares. Apenas no Nordeste há igual número de cursos privados e públicos.